A RAPS como dispositivo vivo: cuidado, afetos e educação permanente na saúde mental
Resumo
Este artigo analisa o trabalho em saúde mental no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), articulando contribuições da Psicologia, da Saúde Coletiva e da Educação. Fundamentado na esquizoanálise e no método da cartografia, o estudo parte de uma pesquisa qualitativa aprovada por comitê de ética, realizada em 2023, que acompanhou os percursos de profissionais da educação em sofrimento psíquico na atenção primária à saúde. A análise se desenvolveu por meio de cenas cartográficas, compreendidas como analisadores dos processos de cuidado, formação e produção de subjetividades no cotidiano dos serviços. Os resultados evidenciam que a RAPS se constitui como um dispositivo vivo, atravessado por tensões entre práticas medicalizantes e experiências de cuidado ampliado, corresponsabilização e trabalho em rede. Os afetos emergem como elementos centrais na análise do trabalho, operando tanto capturas quanto potências de invenção do cuidado em liberdade. Destaca-se, ainda, a educação permanente em saúde como dimensão indissociável do cuidado em saúde mental, produzida no próprio trabalho a partir da problematização das práticas e dos encontros institucionais. Conclui-se que a efetivação da política de saúde mental brasileira depende da sustentação de processos micropolíticos de cuidado, formação e articulação em rede no Sistema Único de Saúde.
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10.56344/2675-4827