Apoio matricial e aproximações que atravessam territórios: uma revisão narrativa
Resumo
O apoio matricial, ou matriciamento, consolidou-se como uma estratégia para qualificar o cuidado em saúde no SUS, especialmente no campo da saúde mental, articulando equipes, ampliando a efetividade e promovendo práticas colaborativas. Diante de sua crescente difusão e da diversidade de experiências descritas na literatura, este estudo teve como objetivo analisar o desenvolvimento histórico do matriciamento, seus principais desafios e potencialidades e suas relações com experiências internacionais análogas de cuidado compartilhado. Trata-se de uma revisão narrativa realizada a partir de buscas nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed, incluindo 16 estudos qualitativos publicados entre 2019 e 2025 que abordam diretamente o apoio matricial ou modelos correlatos. Os resultados foram organizados em três eixos: histórico do matriciamento, desafios e potencialidades e experiências internacionais análogas. Identificou-se que o matriciamento emerge vinculado às reformas Sanitária e Psiquiátrica brasileiras, fundamentado na interdisciplinaridade, na cogestão e na clínica ampliada. Os estudos destacam desafios como a persistência do modelo biomédico, fragilidades de articulação em rede e insuficiência de formação, ao passo que apontam potencialidades como ampliar a resolutividade da Atenção Primária, fortalecer a corresponsabilização e ampliar a educação permanente. Experiências internacionais análogas, embora semelhantes em práticas colaborativas, não reproduzem a densidade conceitual e política do modelo brasileiro. Conclui-se que o apoio matricial constitui uma tecnologia social singular, com forte impacto na reorganização das práticas de saúde, cuja efetividade depende de processos contínuos de integração e formação interprofissional.
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10.56344/2675-4827